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Ela o abraçou lindamente e o beijou longamente. Como se a vida pudesse ser sempre descrita assim, por uma sequência de advérbios de modo. E como se combinasse otimamente com eles. (Afinal, aí estão vários deles na frase de novo!) E eles se concentraram um no outro como se ninguém mais existisse ao redor deles, como se nem mesmo a Fontana di Trevi existisse mais alí. Ou sequer tivesse existido naquele local algum dia.
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Depois voltaram com o grupo para o hotel, que ficava próximo ao bairro Trastevere, tomaram banho e vestiram-se para a noite, uma noite de lua cheia e que já havia começado. Depois voltaram caminhando para a Fontana di Trevi.
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Entraram no hotel planejado, que era mesmo mais uma pousada do que um hotel. Na cantina do mezzanino jantaram, dançaram, beijaram-se, juraram de novo todas as juras tantas vezes juradas, e ficaram ali, esperando o tempo passar até a madrugada chegar. (Não se tem que esperar muito quando se espera o tempo passar. O que o tempo sabe fazer de melhor - e talvez a única coisa que ele sabe fazer de fato - é passar. É sua vocação natural...
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Chegadas as duas ou três horas da madrugada, a fonte estava quase vazia, exceto por dois casais que estavam sentados namorando nas escadarias (agora à direita de sua visão de dentro da pousada) e por um outro casal que estava na própria fonte. Esses casais eram bem jovens, pareciam italianos nativos e um deles aparentava estar fazendo sexo alí mesmo. Ela, sentada em uma mureta e ele encaixado por entre suas pernas, ele às vezes fazendo curtos movimentos de quadril, como aqueles feitos às vezes por quem está amando. Ela, tranquila, quase sem movimento, como quem está sendo amada...
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