quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

O que é, mesmo, Teatro?

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Voltando alguns anos, a antes de 1970, ao primeiríssimo espetáculo teatral que assisti, era de circo-teatro, uma modalidade que talvez nem exista mais naquela forma. Chamava-se "A Marca da Ferradura", no Circo de Tonico e Tinoco - ou João Salvador Perez (Brasil,1917-1994) e José Perez (Brasil,1920). Foi em 1960 ou 61 e o circo estava montado perto de meu bairro.
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O texto era um drama típico de circo-teatro daquela época e, a rigor, não tinha o brilho necessário para permanecer na história do Teatro. Como não permaneceu. Uma peça daquelas com "moral da estória" no final, o relato de um embate entre o Bem e o Mal, uma parábola sobre um fazendeiro ateu, desenvolvida de modo direto e reto a fim de demonstrar, como sempre - em peças assim - que o mal não compensa. (Essa discussão sempre estará em aberto, como se houvesse alguma dúvida de que o mal não compense...)
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Na estória, o vilão queria entrar com seu cavalo na igreja local, para desafiar Deus e provar sua força. Contra a Dele. Após seu cavalo entrar na igreja, já diante das imagens de santos, o cavalo refugara, derrubara o vilão e lhe aplicara um coice no peito. Somente ouvia-se esse trecho, que estava acontecendo no "dentro", não mostrado ao público. O desfecho da cena, com o vilão já ostentando a marca da ferradura em seu peito, como uma tatuagem, é que era visto quando ele voltava cambaleante e prestes a morrer. Aí sim diante do público!
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Era rústico, simples e belo! Forte. E, de certo modo, trágico, embora a peça não fosse uma tragédia grega, em sua origem e forma. Mas era contundente e verdadeiro! Como, aliás, o é o teatro como um todo.

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