O passado, pertença ele a uma pessoa, a um grupo ou mesmo a um país, assemelha-se a uma enorme tela branca de pintura que existiria às costas da pessoa, a poucos centímetros dela, que a cada dia fica marcada com os acontecimentos daquele dia, um dia após o outro, semana após semana, mês, ano, etc.
Como se as imagens dos dias fossem sendo arremessadas para trás das pessoas, passando por elas, com força, por uma espécie de vento fortíssimo a ponto de ir retardando seu caminhar, varrendo tudo o que é real, tudo o que é fato e tudo o que é sonho e impregnando essa tela atrás de todos nós com todas as imagens disso tudo!
Uma analogia para isso, para melhor expressar essa idéia, é pensar no processo de silk-screen - em que o artista passa uma tinta grossa através de uma tela, onde está o desenho, tinta essa que, em seguida é transferida para um tecido ou um ladrilho, por exemplo, transferindo o desenho junto com ela.
Porem o processo da vida é mais complexo. Cada dia ele vai pintando sua leve camada e os milhares de dias que vivemos vão formando um grosso relevo na tela atrás de nós, tão acumulado e sobreposto que torna-se impossível de ser lido pelos outros. Só nós mesmos é que temos alguma condição de ler o nosso quadro e variação de nosso relevo.
Portanto, se essa comparação cabe - todas as comparações são cabíveis, ainda que para serem refutadas - é, talvez, mais difícil falar do passado do que tentar falar sobre o futuro! O futuro sempre parece muito mais perscrutável, imaginável, entendível! (Até temos a ilusão de que o futuro é ‘planejável’. Pura ilusão, mas é assim que essa ilusão – e o futuro - se apresentam.)
O futuro pode não ser previsível, mas é probabilístico...já o passado é histórico, binário e por que não - esquecível. Boa comparação, Melo!!! Parabéns pelo blog. Abraços. Júlio
ResponderExcluirJulio, obrigado por seguir o blog. A idéia é essa mesma: colocar idéias para serem comentadas por todos. E, assim, fazer o livro 'acontecer'. Abraços, RM.
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