sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

O vendedor de geléia

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Mas, voltando aos anos de 1960, muitos eram os vendedores ambulantes também. Havia o vendedor de raspadinha, no verão. Seu equipamento era um carrinho de mão com um imenso bloco de gelo e vários sabores – artificiais - de frutas que eram misturadas com o gelo raspado e extraído do bloco com uma pequena ferramenta. O vendedor de quebra-queixo, o de pamonha, de biju. Todos com suas especificidades e todos a pé.

Todos caminhantes, andarilhos incansáveis, que pareciam estar vindo do fim do mundo, caminhando sobre a linha do Equador, com destino ao outro fim do mundo, como se o planeta fosse seu chinelo, como se o mundo fosse pequeno, minúsculo, tal como era o planeta do Pequeno Príncipe, de Saint-Exupery (França,1900-1944).

O vendedor de geléia era um velhinho baixinho, com óculos de lentes fundo de garrafa. Não tinha nome. Para nós, nenhum dos vendedores tinha nome. Era apenas o ‘vendedor de geléia’. Sua geléia cobria um tabuleiro que estava dentro de um carrinho de mão - pequeno e velhinho como ele próprio - que tinha um cockpit de vidro: era como se fosse uma vitrine sobre rodas. E ele não apregoava as qualidades de suas geléias. Só buzinava. Como se fosse um Chacrinha – Abelardo Barbosa (Brasil,1916-1988) ao vivo! Ele apenas buzinava. E isso era o suficiente.

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