quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Trecho de "Ser mulher"

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Quando nasce uma menina, voltando ao assunto mulher, é um momento mágico: é uma menina dando a luz à outra! É uma semente que se abre para dar vida à outra. É uma semente que se abre para expor à natureza outra semente que havia dentro dela. É um elo forte que se estabelece e se repete: é a passagem da vida de uma mulher para a vida de outra mulher. De outra mulher, que passará a vida adiante para outras mulheres. É como uma estrela que explode e que traz dentro de si outras incontáveis estrelas, que um dia explodirão e que, continuamente, conterão outras estrelas dentro de si...
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No meio dessa sucessão de elos, é natural que também nasçam homens, mas a essência da passagem dessa chama, dessa luz - como se fosse uma chama olímpica da vida, como se fosse a luz que faz existir luz e que faz existir a vida... - a essência desse mistério profundo que é a vida, desse imensurável e indecifrável mistério que é existir vida, a essência da vida é preservar a mulher para preservar a vida!
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(Esse último parágrafo está impregnado de um sentido mais que filosófico, como se se tratasse de uma mensagem messiânica ou de alguma atitude de adoração. Isso, por um lado, é bom, porque essa sensação faz jus às maravilhas da existência da matéria, do universo, da vida e da inteligência humana. Mas não seria exato se ficasse a sensação de que se está atribuindo aqui tudo a um conceito de ‘divino’. Seria um equívoco pensar de modo tendendo somente para o religioso. Porque não é isso. É maior que isso.)

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